O Instituto Nacional de Advocacia – Inad, perplexo com os acontecimentos dos últimos dias, vem a público apresentar esta nota de repúdio aos ataques nefastos praticados contra agentes que combatem a corrupção, delito esse que poderia ser qualificado como um dos maiores crimes contra a humanidade por conta de sua extensa abrangência territorial e longo alcance temporal, acarretando danos tanto a geração atual como as futuras gerações. Por conta disso, nos solidarizamos ao juiz federal Marcelo Bretas que foi injustamente punido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) por participar de um evento público junto com autoridades políticas, visto que inexiste na Lei Orgânica da Magistratura norma proibindo a participação de magistrados em eventos, mesmo aqueles que tenham conotação política. Ademais, a Constituição Federal garante o direito do magistrado de participar de qualquer evento, conforme o disposto no artigo 5º, XVI, da CRFB “… todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização”. Não poderíamos deixar de destacar que é comum ver a participação da alta cúpula do Poder Judiciário em eventos juntos com políticos, bem como é bastante comum ver grandes empresas patrocinarem eventos de Tribunais voltados para os magistrados e servidores públicos, mas nem por isso nunca houve na história a aplicação de penalidade contra qualquer magistado. Não é demais lembrar que a última operação deferida pelo juiz Marcelo Bretas (Operação Esquema S) tinha como alvo advogados dos maiores escritórios da advocacia do Rio de Janeiro, sendo que dentre essas pessoas estavam a advogada Ana Tereza Basílio, esposa de desembargador federal do TRF2, e advogado Flávio Zveiter, filho de desembargador do TJRJ, conforme amplamente divulgado pela imprensa, o que talvez explique a tentativa de algumas autoridades públicas tentarem frear o avanço do combate a corrupção. Por tudo que foi exposto, nos parece evidente que esta punição ao juiz Marcelo Bretas nada mais é do que uma forma de retaliação por ele estar sendo bastante combativo contra os crimes de colarinho branco, atitude essa que deve ser apoiada por toda sociedade e é aplaudida pelo INAD.